Memorial

O Núcleo de Meio Ambiente

Em 1987, a UFPA criou a Comissão Executiva de Meio Ambiente (CEMA), com a finalidade de contribuir para a formulação de uma política de desenvolvimento para a região Amazônica que assegurasse, ao mesmo tempo, a preservação do meio ambiente e um desenvolvimento sócio econômico sustentável. No conjunto de propostas resultantes da reflexão e discussão com a comunidade universitária, recomendava-se a criação do Núcleo de Meio Ambiente ( NUMA ), o que se efetivou em 4 de janeiro de 1991, através de resolução do Conselho Universitário, que definiu sua função de articular as atividades acadêmicas na área ambiental, regulamentada em 13 de abril de 1992.

O NUMA é um órgão de integração da Universidade Federal do Pará, com caráter multi e interdisciplinar, que tem a finalidade de promover o desenvolvimento das ciências ambientais, criando condições para execução de programas que propiciem a atuação articulada das unidades de pesquisa, ensino e extensão.

Desde o início da sua implantação, o NUMA vem procurando ocupar o espaço institucional que lhe foi reservado, através de um conjunto de ações destinadas a promover a articulação de projetos de pesquisa, ensino e extensão relacionados com o meio ambiente e da busca de caminhos metodológicos capazes de estimular a interdisciplinariedade das atividades acadêmicas. Ao mesmo tempo, vem contribuindo para abrir novos canais de comunicação da Universidade com outros segmentos da sociedade, promovendo, apoiando e participando de eventos e iniciativas voltadas para a superação da dicotomia entre desenvolvimento e preservação do meio ambiente.

As ações interdisciplinares ou transdisciplinares, todavia, não se desencadeiam pela simples superposição de esferas de conhecimento e atividades especializadas, por maiores que sejam os esforços empreendidos no sentido de fomentar a aproximação de diferentes profissionais. Cabe ao NUMA, portanto, ajudar a romper as barreiras da compartimentalidade do saber acadêmico, através de um processo pedagógico de articulação das várias áreas do conhecimento, sob uma visão integrada da dimensão social e do meio ambiente.

Desde sua implantação, o NUMA ficou instalado no Chalé de Ferro, como é conhecido o prédio dentro da UFPA. Foram 21 anos, de 1992 até o ano de 2013 que o Chalé serviu de abrigo ao Núcleo de Meio Ambiente, tornando-se sua marca registrada dentro da comunidade universitária, bem como para todos aqueles que procuravam o NUMA.

 

O Chalé de Ferro da UFPA

Inaugurado em 11 de Janeiro de 1992, o Chalé de ferro é de origem belga e é o mais expressivo representante no Brasil do sistema construtivo Danly e do modelo de bangalô anglo-indiano, é o único com dois pavimentos totalmente em ferro.

Não se conhece com precisão as circunstâncias de sua aquisição. Sabe-se com segurança, porém que ele chegou a Belém não antes de 1890 e que já se encontrava montado em 1893, ano em que foi colocado à venda.

O chalé serviu de residência à família do Senador Álvaro Adolfo, tendo sido alugado a UFPA entre 1963 e 1972, período em que sediou inicialmente o curso de arquitetura e depois, o serviço de Atividades Musicais. Posteriormente passou a ser propriedade do clube Monte Líbano, que em 1981 o repassou ao arquiteto Euler Arruda, em contrapartida à elaboração de um novo projeto para a sede social do clube.

O arquiteto, também professor da UFPA, num gesto de grande desprendimento e de amor à instituição, doou o chalé à UFPA que providenciou sua desmontagem e seu transporte para remontagem no Campus Universitário.

A responsabilidade técnica pelos trabalhos de desmontagem, restauração e remontagem foi assumida pela Arquiteta Maria Beatriz Manescy Faria, da Prefeitura do Campus Universitário da UFPA, que coordenou a equipe formada de professores, arquitetos, engenheiros, desenhistas e estudantes de arquitetura da UFPA, durante todo o trabalho. Desde o início do projeto até o seu final foi fundamental a orientação prestada pelo Prof. Geraldo Gomes da Silva, da Universidade Federal de Pernambuco e expert internacionalmente respeitado em Arquitetura do Ferro, o qual, mais do que um consultor, tornou-se um apaixonado pelo projeto.

A desmontagem foi precedida de um levantamento métrico e fotográfico de todo o edifício, providência essencial para viabilizar sua remontagem posterior. Todas as três mil peças que compõem o chalé foram devidamente identificadas através de um código especialmente criado para tal fim. Após isso, foram etiquetadas e separadas em lotes homogêneos e guardadas no laboratório de Hidráulica, do Centro Tecnológico da UFPA.

As ações de remontagem iniciaram em ritmo lento, em conseqüência da falta de recursos financeiros específicos para o projeto. Em 1985, com recursos repassados pela extinta Fundação Nacional Pró-Memória, executou-se a base de concreto armado sobre a qual se elevaria o chalé.

Mais tarde, já em 1988, com recursos financeiros destinados ao projeto pela Companhia Vale do Rio Doce, foram executados os serviços de limpeza e pintura primária das peças que se encontravam em bom estado, bem como a recuperação das que necessitavam de reparos e a confecção de outras novas para substituir as irrecuperáveis.

Finalmente, em 1991, com recursos alocados pelo Ministério da Educação para implantação do Núcleo de Meio Ambiente da UFPA, deu largada a remontagem do edifício.

Na remontagem do Chalé foram rigorosamente preservadas suas características originais. Assim, toda a sua estrutura portante e de coberta é constituída de ferro, assim, como o telhado. O assoalho do pavimento superior, os forros, as portas e as janelas são em madeira.
Em 1981, quando a UFPA recebeu o prédio, ele continha alguns acréscimos em concreto, introduzidos posteriormente à sua montagem original. Tais acréscimos foram retirados na atual montagem, resgatando-se, assim, o projeto original.

A única modificação acrescida na atual remontagem foi a construção de dois compartimentos para sanitários, que ocupam um pequeno espaço na sala maior do pavimento térreo. Estes compartimentos não existiam no projeto original, de vez que edifícios dessa natureza possuíam edículas separadas do corpo principal, com essa finalidade. Os atuais sanitários foram projetados e construídos com material totalmente diferente dos utilizados originalmente no edifício, pois se pretende evidenciar a contemporaneidade da intervenção.
As cores originais do chalé não são conhecidas, mas isso não era um elemento essencial de sua caracterização.

Atualmente, o NUMA está desenvolvendo suas atividades administrativas em dois prédios novos, construídos ao lado do Chalé de Ferro, inaugurado em outubro de 2012.

 

 

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